Dançar (não) é preciso

A nova criação da Esther Weitzman Companhia de Dança comemorou em 2016, os dezessete anos de consolidação do trabalho do grupo, com expressividade e atuação na dança nacional. O diálogo, desde sempre realizado com a literatura, cede lugar agora à conversa com a pintura, nomeadamente a de Jackson Pollock. Não se trata entretanto de tomar a sua arte como inspiração para a dança ou da tentativa de traduzir as obras em movimento.

A pintura provoca a dança de Esther a iniciar-se de um outro lugar. Tal como Harold Rosenberg disse das telas de Pollock, reimaginar o espaço/tempo da dança “não como um lugar no qual reproduzir, analisar ou expressar um objeto, mas como uma arena na qual agir”. A busca pelas volutas espaciais e pelo fluxo contínuo de movimento tenta responder às intensidades afetivas presentes no trabalho do pintor norte-americano, para poder “gritar como gritam as cores de seus quadros. Ali há voz, há fala e é pro mundo”, diz a coreógrafa. Ainda antes há ali estesia de dança; há uma escrita dos rastros dos movimentos do pintor em seu manejo irregular e contraditoriamente preciso de sua drip painting: gotejada, pingada, escorrida, encharcada. Ele insistia em dizer “não há acaso. Eu recuso o acaso”.

O que a dança pode recolher destas intensidades? A chave está no que é preciso. De modo análogo ao de Pollock, buscar na dança a precisão: não o que é regular ou metrificado, mas o que é ao mesmo tempo conciso, inevitável, urgente e, portanto, necessário à vivência dos estados intensivos de corpo que lhe correspondem. E assim, parafrasear o grande poeta português dizendo: dançar não é preciso, viver é preciso.

Um diálogo com a pintura de Jackson Pollock na busca pelo que é preciso (inevitável e   necessário) à construção e experiência das intensidades espaço-temporais pautadas pelo fluxo contínuo de movimento; um desdobramento da linguagem da companhia, agora em outro e novo caminho; uma perspectiva de composição em dança atravessada pela ética/estética do sensível – vontade de partilha do que é o dançar visando a formação inteligente de plateia.

Thereza Rocha

Concepção/coreografia/direção| Esther Weitzman

Bailarinos/Criadores | Dandara Patrocolo/Fagner Santos/ Julia Gil/ João Mandarino/ Pedro Quaresma

Bailarina participante da criação | Luísa Helena

Ensaiadora|Miriam Weitzman

Desenho de luz| José Geraldo Furtado

Projeto Gráfico|  Flavio Pereira

Figurino| Esther Weitzman e Miriam Weitzman

Fotos | Renato Mangolin

Professores da Companhia|Esther Weitzman ,Paulo Mantuano, Maria Machado, Alexandre Bhering

Preparador Técnico | Anderson Fernandes

Redação de textos| Thereza Rocha

Tradução|André Bern

Operação de luz | Raphael Cassou

Vídeo maker | Gustavo Gelmini

Direção de Produção  | Sabrine Muller

Produção Executiva  | Manuela Weitzman

Produção|  Abraço Produções

Realização| Esther Weitzman Companhia de Dança


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